Política

Lula agradece apoio nas urnas e defende regulação de plataformas digitais

Em seu primeiro pronunciamento oficial após a confirmação de sua vitória nas urnas neste domingo (25), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, reeleito para mais um mandato presidencial com uma marca superior a 64 milhões de votos, fez questão de expressar sua gratidão ao povo brasileiro pela demonstração de generosidade. Durante o discurso, o chefe do Executivo federal destacou os desafios enfrentados ao longo da disputa, apontando a necessidade de superar interferências externas vindas de plataformas digitais estrangeiras, tema que, segundo ele, exigirá rigor regulatório em sua próxima gestão.

“É uma eleição em que a gente teve que vencer a intromissão vinda de fora para dentro através de plataformas digitais, que nós vamos ter que regulá-las. Não é possível que a gente não tenha consciência que o crime no mundo digital tem que ser tratado igual crime na vida real”, declarou o presidente perante apoiadores e autoridades presentes no evento.

O mandatário também criticou o modelo de atuação dessas corporações tecnológicas no cenário político nacional. “Nós não podemos ter empresas monstruosas de grande, ganhando bilhões e bilhões, não pagando nenhum imposto para esse país e tentando direcionar o resultado eleitoral desse país”, acrescentou.

Completando 81 anos na próxima terça-feira (27), Lula alcança a marca histórica de quatro mandatos à frente da Presidência da República, tendo exercido o cargo anteriormente entre 2003 e 2010, além do período recente de 2023 a 2026. O político ressaltou ainda a singularidade de sua trajetória como o único presidente sem diploma universitário a conquistar a confiança do eleitorado brasileiro em quatro ocasiões distintas.

O resultado consolida um capítulo marcante na trajetória democrática do país, impulsionado por ampla mobilização popular. “Eu queria agradecer ao povo brasileiro a generosidade que eles têm comigo há muito tempo. E, neste segundo turno, agradecer a generosidade da juventude brasileira que foi para rua para defender a democracia, quero agradecer às pessoas idosas”, pontuou.

O presidente relatou ter se emocionado com episódios presenciados durante o pleito. “Eu vi muitas cenas hoje de pessoas sendo carregadas pelos seus netos para ir votar, pessoas impossibilitadas de se locomover, pessoas com câncer e com outros tipos de doença, e as pessoas foram votar porque nós conseguimos convencê-las de que o voto era muito importante para assegurar a democracia do país”, completou.

Diretrizes para o novo mandato

Ao avaliar o pleito de 2026, o presidente enfatizou que o processo eleitoral deixou importantes aprendizados. Agradecendo o engajamento de figuras como o deputado federal André Janones na coordenação das redes sociais de apoio, Lula sinalizou que a administração futura contará com maior grau de participação popular nas deliberações governamentais.

“Eu posso garantir para vocês que nós vamos mudar o jeito de governar esse país. Quero dizer para vocês que nós vamos fazer o povo participar mais nas nossas decisões. E quero dizer para vocês que a comunicação digital vai ganhar um espaço muito grande no meu governo”, afirmou. O discurso ocorreu por volta das 22h20 em um hotel localizado na capital paulista, antes de o líder seguir para a Avenida Paulista para celebrar com os eleitores.

Articulação e apoios políticos

O pronunciamento contou com a presença de diversas lideranças de expressão nacional, incluindo o vice-presidente Geraldo Alckmin, ministros de Estado como Alexandre Padilha, Wellington Dias e Esther Dweck, além de parlamentares e gestores públicos como o deputado federal André Janones, a deputada Sâmia Bonfim, o senador Camilo Santana, a deputada Marina Silva, Simone Tebet e o coordenador de comunicação da campanha, Rafael Fonteles.

A mobilização popular pós-primeiro turno evidenciou a defesa de preceitos constitucionais e dos direitos humanos, pilares que marcaram o contraste programático entre os candidatos no segundo turno. Enquanto a trajetória de Lula se consolidou historicamente no combate à ditadura militar, o adversário representava uma vertente de alinhamento com o regime autoritário do passado.

Pilares da economia, educação e seguridade social

No plano econômico, o governo reeleito pretende assegurar a continuidade da matriz atual, baseada em investimentos estatais, valorização do poder de compra e programas de transferência de renda como o Bolsa Família e o Minha Casa, Minha Vida. A gestão fiscal continuará pautada pelo arcabouço de limites de despesas, enquanto a agenda tributária buscará maior progressividade, exigindo contribuição proporcionalmente superior das camadas de maior renda.

A educação permanece no centro das prioridades estratégicas para o desenvolvimento e a ascensão social. As metas englobam a expansão de creches, o fortalecimento da formação e remuneração dos docentes, a ampliação do tempo integral nas escolas e a consolidação de iniciativas de incentivo financeiro aos estudantes, a exemplo do programa Pé-de-Meia e de suas vertentes voltadas à valorização das licenciaturas e da rede pública básica.

Fonte:: agenciabrasil.ebc.com.br

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