

Durante entrevista coletiva concedida neste domingo (4), o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Nunes Marques, declarou que o órgão não identificou quaisquer indícios concretos de interferência estrangeira no andamento do processo eleitoral brasileiro.
De acordo com o magistrado, as equipes técnicas da instituição dedicadas ao monitoramento de riscos em âmbito internacional não registraram movimentações suspeitas ou tentativas de desestabilização externa. Nunes Marques pontuou que, até aquele momento da votação, tampouco haviam sido repassados relatórios formais por parte da Polícia Federal, da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) ou de outros órgãos parceiros que apontassem vulnerabilidades ou ameaças dessa natureza.
“Até o momento, não temos nenhum indicativo concreto de interferência internacional”, ressaltou o presidente do TSE aos jornalistas presentes.
Substituição de urnas eletrônicas
No balanço operacional divulgado durante o encontro com a imprensa, o ministro informou que um total de 1.121 urnas eletrônicas precisou ser trocado ao longo de todo o período de votação no país. O volume representou apenas 0,2% do universo total de equipamentos utilizados. O tribunal reiterou que em nenhum momento houve necessidade de recorrer ao sistema de votação manual.
Entre os principais motivos que motivaram a substituição dos equipamentos estiveram as oscilações e quedas pontuais no fornecimento de energia elétrica em algumas regiões. No estado do Paraná, por exemplo, onde fortes rajadas de vento e temporais causaram interrupções na rede elétrica, o uso preventivo de geradores e baterias garantiu a continuidade da votação e o fluxo normal da transmissão de dados.
Nunes Marques tranquilizou os eleitores ao explicar que a troca de uma urna não acarreta prejuízos ou perdas de votos. Quando um terminal apresenta defeito técnico, o processo de votação prossegue imediatamente em outro equipamento disponibilizado, e os dados armazenados na máquina substituída são integrados normalmente à apuração geral.
“Não tivemos nenhum problema significativo em relação às informações”, garantiu o ministro.
Monitoramento e combate à desinformação
O combate às notícias falsas e à circulação de conteúdos enganosos também integrou o pronome das autoridades eleitorais. Conforme os dados apresentados pela presidência do TSE, desde o dia 16 de agosto — marco inicial da campanha eleitoral — foram contabilizadas aproximadamente 2.800 ocorrências relacionadas à desinformação em diferentes plataformas digitais.
Somente até as 13h daquele domingo de eleições, as equipes de monitoramento registraram 453 novos apontamentos. Contudo, o tribunal minimizou o impacto dessas publicações no pleito.
“A maioria dos conteúdos que circulam ou que circularam no dia de hoje já são conteúdos conhecidos, mapeados e identificados. Praticamente não tivemos conteúdos novos e conteúdos graves que pudessem trazer qualquer desequilíbrio ao pleito”, avaliou o chefe do TSE.
Crimes eleitorais e apreensões
No aspecto da segurança pública e fiscalização da lei eleitoral, o balanço parcial apresentado apontou a condução de 59 pessoas às delegacias sob a suspeita de cometimento de crimes eleitorais, sendo que 25 delas foram autuadas em situação de flagrante delito.
As ações de fiscalização também resultaram em expressivas apreensões de recursos financeiros. De acordo com o tribunal, mais de R$ 380 mil em espécie foram confiscados apenas no dia da votação. Com essa quantia, o montante total de dinheiro em espécie apreendido em operações de combate a crimes eleitorais desde janeiro ultrapassou a marca de R$ 30 milhões.
No que tange à mobilidade urbana e ao deslocamento dos eleitores para os locais de votação, o ministro avaliou que o planejamento preventivo executado pela Justiça Eleitoral foi bem-sucedido, sobretudo nas regiões Norte e Sul. O magistrado confirmou que não foram registradas situações críticas de alagamentos ou inundações que pudessem impedir ou dificultar de forma drástica a chegada dos cidadãos às urnas.
Judicialização e transparência
Indagado por jornalistas a respeito da eventualidade de candidatos recorrerem à Justiça para contestar os resultados das urnas, Nunes Marques ponderou que o país possui uma forte tradição de judicialização pós-eleitoral, sendo natural que concorrentes a diversos cargos apresentem questionamentos legais com base em normativas vigentes.
O ministro fez questão de diferenciar as disputas judiciais tradicionais — como processos que envolvem supostos abusos de poder político ou econômico — de narrativas que coloquem em dúvida a lisura, a segurança e a confiabilidade do sistema eletrônico de votação e da própria condução do pleito pelo TSE.
Para o presidente da corte, a integridade da eleição foi assegurada por meio de um trabalho conjunto que envolveu órgãos governamentais, entidades da sociedade civil e observadores encarregados de auditar todas as etapas do processo. Ele reiterou que, até aquele momento, o sistema funcionava com absoluta normalidade, segurança e transparência.
Por fim, ao ser questionado sobre possíveis reflexos ou tensões institucionais entre o TSE e o Supremo Tribunal Federal (STF) no cenário de uma eventual onda de processos judiciais, Nunes Marques evitou especulações e pontuou que os magistrados devem manter a sobriedade e abster-se de comentários públicos sobre matérias que possam vir a compor futuras pautas de julgamento nos tribunais superiores.
Fonte:: camara.leg.br










