
O Centro de Referência em Tecnologia da Informação e Comunicação da Firjan Senai, conhecido como DigiTech, deu um passo importante rumo à inovação ao incorporar um novo computador quântico educacional. O equipamento, batizado de Triangulum II, é fruto de uma parceria entre a fabricante chinesa SpinQ e a empresa de tecnologia Dobslit. Atualmente, a máquina se destaca como uma das três unidades de computação quântica voltadas para a educação em todo o território nacional, além de ostentar o título de mais moderna do país.
A chegada dessa tecnologia inovadora tem como principal objetivo preparar estudantes, professores e pesquisadores para a nova realidade do mercado tecnológico. Com o avanço gradual da computação quântica, setores fundamentais da economia brasileira e global começam a vislumbrar novas perspectivas. Áreas estratégicas como óleo e gás, energia, telecomunicações, logística, serviços financeiros e tecnologia da informação estão entre as que mais devem se beneficiar das futuras aplicações práticas dessa ferramenta.
Do ponto de vista industrial, a iniciativa do sistema Firjan-Senai busca antecipar soluções para problemas complexos que superam a capacidade de processamento dos computadores tradicionais à medida que o número de variáveis aumenta. Especialistas ressaltam, no entanto, que os computadores quânticos não chegam com a proposta de substituir as máquinas convencionais em todas as tarefas do cotidiano. Trata-se de equipamentos projetados sob uma nova lógica de funcionamento, voltados para resolver tipos específicos e altamente desafiadores de cálculos.
Enquanto os computadores tradicionais operam com bits — unidades fundamentais que assumem valores fixos de 0 ou 1 —, a computação quântica baseia-se em qubits. Os qubits têm a capacidade de representar 0, 1 e diversas combinações desses estados de forma simultânea. Essa propriedade singular, combinada a princípios fundamentais da física quântica, permite a exploração de caminhos matemáticos e de processamento completamente inacessíveis à computação clássica.
Para a instituição, o grande desafio para o setor produtivo não consiste em aposentar a infraestrutura atual, mas sim em identificar quais gargalos industriais podem ser solucionados com o auxílio da tecnologia quântica, transformando esse potencial teórico em inovações práticas para o mercado.
Capacitação profissional e visão estratégica
O presidente da Firjan, Luiz Cesio Caetano, enfatiza que a principal virtude da nova máquina reside na habilidade de analisar múltiplas alternativas ao mesmo tempo, elevando as chances de encontrar respostas otimizadas com muito mais agilidade.
“Abre perspectivas para aplicações futuras em diversas áreas, como logística, finanças, farmacêutica, bem como em soberania e segurança nacional”, pontua o dirigente.
Segundo Caetano, embora a computação quântica ainda esteja em seus primeiros passos de adoção comercial, observa-se uma corrida internacional acirrada pela formação de mão de obra qualificada. A estratégia do Senai é justamente estabelecer um polo de excelência no Brasil para atender a essa demanda global em expansão.
“A Firjan-Senai pretende construir uma base de profissionais preparados para atuar em um mercado que está ganhando escala global. O computador será utilizado na formação de estudantes, pesquisadores e profissionais em requalificação”, reforça o presidente.
Empresas de diferentes segmentos que desejam inserir suas equipes nesse novo ecossistema tecnológico podem buscar o DigiTech para treinamentos direcionados. Maurício Bonabitacola de Almeida, gerente de operações do centro, alerta que a falta de preparo atual pode gerar um déficit ainda maior de talentos no futuro. “O gap da informática hoje continua sendo alto, e essas novas tecnologias exigem cada vez mais pessoas treinadas”, avalia.
Aplicações práticas na indústria e na saúde
Na prática, o potencial da máquina pode ser observado em simulações avançadas. O instrutor de cursos especiais do DigiTech, Vagner da Costa Lima, ilustra os benefícios práticos citando o setor farmacêutico e de biotecnologia.
“Se eu tiver uma molécula que demora muito em um computador clássico, no computador quântico simulo muito mais rápido de processamento e com isso aceleram-se os testes para produzir uma vacina ou um medicamento”, detalha.
O interesse corporativo já começa a se traduzir em ações concretas. A empresa de petróleo e tecnologia Technip enviou representantes para participar das capacitações focadas em otimização logística utilizando o equipamento quântico.
“A gente aprendeu sobre a tomada de decisão da máquina, que ela faz tudo muito rápido. Tem que dar as especificações direitinho para ter as respostas concretas. É uma máquina potente”, relata Maria Eduarda Brigida Rolim, profissional da Technip.
Fonte:: agenciabrasil.ebc.com.br









