Política

Nova lei propõe incentivo à integração entre lavoura pecuária e floresta

Discussão e votação de propostas legislativas. Dep. José Medeiros (PL-MT)

Uma nova proposta legislativa apresentada na Câmara dos Deputados busca transformar o panorama do setor agropecuário brasileiro por meio da sustentabilidade e da otimização de recursos naturais. O Projeto de Lei 2968/26 estabelece oficialmente a Política Nacional de Incentivo à Integração Lavoura-Pecuária-Floresta, conhecida pela sigla ILPF. A iniciativa é de autoria do deputado José Medeiros (PL-MT) e tem como foco principal a valorização de terras que atualmente encontram-se ociosas ou em estado de degradação.

O modelo estratégico proposto consiste na união de atividades agrícolas, pecuárias e silviculturais dentro de uma mesma propriedade rural. Essa combinação pode ocorrer de forma consorciada, em sistema de sucessão ou por meio de rotação de culturas. A intenção central do parlamentar é demonstrar que o país dispõe de margem suficiente para crescer em termos de volume de produção e eficiência econômica sem a necessidade de avançar sobre novas fronteiras nativas.

Pilares fundamentais da nova política agrícola

De acordo com o documento protocolado no parlamento, a criação da política nacional visa atingir metas fundamentais para o desenvolvimento socioeconômico e ambiental do Brasil. Entre os principais objetivos destacados pelo texto original estão:

  • estimular a recuperação produtiva de áreas degradadas;
  • promover práticas agropecuárias sustentáveis no país;
  • aumentar a produtividade por hectare;
  • reduzir a pressão por abertura de novas áreas nativas; e
  • incentivar o uso racional do solo e dos recursos hídricos.

Além desses pontos, a implementação do sistema ILPF foi desenhada para funcionar como um mecanismo direto de ampliação da renda para os produtores rurais, proporcionando maior estabilidade financeira frente às oscilações de mercado e às intempéries climáticas. Paralelamente, o projeto projeta uma queda significativa nas emissões líquidas de gases de efeito estufa associadas à atividade no campo.

Mecanismos de incentivo e facilidades financeiras

Para assegurar que a adesão ao modelo seja atrativa e viável para agricultores e pecuaristas de diferentes portes, a proposta prevê uma série de facilidades por parte do governo federal. Conforme a matéria, a União poderá disponibilizar linhas de crédito rural exclusivas, dotadas de taxas de juros reduzidas, além de estabelecer prioridade no direcionamento de recursos do Plano Safra e conceder incentivos de ordem tributária para a aquisição de maquinário e tecnologias voltadas à ILPF.

O texto legislativo também contempla a liberação de financiamentos específicos destinados unicamente à recuperação de pastagens que perderam sua capacidade produtiva original, acompanhados da oferta de suporte técnico especializado para orientar o manejo adequado da terra. Os produtores que optarem voluntariamente pelo sistema integrado ainda ganharão vantagens competitivas, como preferência de atendimento em programas governamentais voltados à agricultura de baixa emissão de carbono.

Outro benefício atrelado à norma é o favorecimento na participação de políticas públicas de pagamento por serviços ambientais, bem como facilidades na inserção em mercados regulados e voluntários de comercialização de créditos de carbono.

Uso inteligente do solo como alternativa ao desmatamento

Na justificativa que acompanha a tramitação do projeto, o deputado José Medeiros enfatiza que o grande trunfo do agronegócio brasileiro neste século deve ser a intensificação tecnológica do uso da terra, e não a expansão territorial desenfreada. Para o parlamentar, o país reúne todas as condições científicas e estruturais necessárias para se consolidar como líder global em produção sustentável, sendo primordial traduzir esse potencial em diretrizes estatais concretas.

“O grande desafio nacional não é expandir fronteiras agrícolas, mas recuperar e intensificar com inteligência as áreas já abertas”, pontua o autor da proposição no texto oficial.

O deputado reforça que o modelo integrado representa uma alternativa viável para elevar a oferta de alimentos e commodities sem estimular o desmatamento, conciliando a preservação ambiental com o crescimento econômico contínuo. “A Integração Lavoura-Pecuária-Floresta representa uma política moderna, cientificamente validada, economicamente eficiente e ambientalmente responsável”, complementa.

Reconhecimento oficial e segurança jurídica

Um dos aspectos de destaque da proposta é a validação legal da prática. Pelo teor do projeto, a adoção do sistema ILPF receberá reconhecimento oficial do Estado como atividade legítima de agricultura sustentável e de baixa emissão de carbono.

Dessa forma, as propriedades que implementarem os consórcios produtivos poderão utilizar os resultados ambientais obtidos para fins de compensação de reservas, comercialização de créditos gerados por práticas conservacionistas e facilitação na obtenção de certificações de sustentabilidade exigidas pelos mercados internacionais mais rigorosos.

Próximos passos no Poder Legislativo

O Projeto de Lei 2968/26 iniciou sua jornada regulatória na Câmara dos Deputados e seguirá um rito conclusivo. Isso significa que a proposta passará pelo crivo de comissões temáticas estratégicas antes de eventual envio ao Senado Federal, sem a necessidade obrigatória de passagem prévia pelo Plenário principal, a menos que haja recurso para isso.

As comissões encarregadas de avaliar o mérito técnico da matéria são:

  • Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural;
  • Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável;
  • Finanças e Tributação; e
  • Constituição e Justiça e de Cidadania.

Para que o texto se consolide efetivamente como lei federal em todo o território nacional, a proposta precisará obrigatoriamente obter a aprovação tanto dos deputados federais quanto dos senadores.

Fonte:: camara.leg.br

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