Política

Juventude das periferias articula movimento para transformar o voto em agente de transformação social

Jovens do Distrito Federal e de municípios do entorno uniram forças para evidenciar que a verdadeira transformação social depende diretamente da inclusão e da escuta ativa das vozes que ecoam nas periferias. Entre os nomes à frente dessa mobilização está Sara Lisboa, geógrafa em formação de 21 anos, que argumenta que a inserção da juventude periférica na formulação de propostas políticas impacta de maneira direta a melhoria dos serviços públicos essenciais na ponta.

Moradora da Ceilândia, considerada a região administrativa mais populosa do Distrito Federal, Sara aponta que as decisões tomadas em gabinetes distantes da realidade social costumam falhar por ignorarem o cotidiano da população. “Quando a política pública é realizada por gabinetes distantes da realidade, feita por pessoas que não usufruem do serviço público — como transporte, saúde e educação —, o resultado é outro. Política pública precisa ser pensada por quem vive essa rotina”, pontua.

A jovem integra o grupo de adolescentes e moradores das periferias do Distrito Federal e do entorno responsável pela elaboração e pelo lançamento da Carta-Manifesto da Rede de Juventudes e Adolescências. O documento traz um conjunto de demandas e propostas voltadas aos candidatos que disputarão as eleições.

Sara Lisboa, geógrafa em formação, 21 anos, moradora da Ceilândia. Foto: Arquivo pessoal

O lançamento oficial da iniciativa ocorreu no Dia Internacional da Juventude, como parte da campanha Perifa nas Urnas. Coordenada pelo Instituto de Estudos Socioeconômicos (Inesc), a mobilização tem como metas centrais intensificar a formação política das novas gerações, estimular o protagonismo das comunidades periféricas, fomentar a consciência na hora de votar e pautar os candidatos aos cargos de governador, deputado distrital, deputado federal e senador no pleito de 2026.

Busca por mudanças estruturais

Para o fotógrafo, designer gráfico e graduado em Gestão Pública Victor Queiroz, de 27 anos, a participação ativa nesse processo é indispensável para alcançar transformações profundas na sociedade. Morador da região administrativa do Paranoá e pesquisador em Mobilidade Urbana Sustentável, ele defende que a conscientização sobre o poder do sufrágio altera a percepção do eleitor.

“A partir do momento em que a população adquire consciência da importância que o seu voto tem para fazer as políticas públicas chegarem ao seu território, a votação deixa de ser só um dever e passa a se tornar um instrumento real e valioso”, avalia.

Victor Queiroz, morador do Paranoá, fotógrafo, designer gráfico, graduado em Gestão Pública, pesquisador em Mobilidade Urbana Sustentável. Foto: Arquivo pessoal

Victor reforça ainda a necessidade de escutar as demandas locais com profundidade, contrapondo a atuação de técnicos que realizam diagnósticos superficiais sem o devido diálogo com a comunidade. “É diferente de um técnico que vai ao local apenas para analisar, fazer estudo e que, às vezes, nem escuta todo mundo, elaborando [políticas] apenas com base no que ele acredita”, critica.

Estratégia de comunicação horizontal

A atuação da campanha aposta em uma abordagem direcionada e horizontal. Dyarley Viana de Oliveira, assessora política do Inesc na área de juventudes, crianças e adolescentes, explica que a premissa fundamental é estabelecer um diálogo direto entre jovens, desmistificando a ideia de que a política institucional pertence exclusivamente ao universo adulto.

“Na linguagem dos jovens, estamos anunciando que esse espaço é para eles também”, destaca a representante da instituição.

Assessora política do Instituto de Estudos Socioeconômicos (Inesc), Dyarley Viana de Oliveira. Foto: Inesc

Eixos da carta-manifesto

O documento entregue aos postulantes aos cargos eletivos é fruto de um processo coletivo construído ao longo de dois anos por meio de oficinas temáticas. O texto abrange áreas vitais como saúde, trabalho, segurança pública, proteção social, educação, cultura, mobilidade urbana e a diversidade inerente às juventudes.

O processo de mobilização envolveu mais de 150 adolescentes e jovens, majoritariamente negros e periféricos, vindos de diversas localidades do Distrito Federal — a exemplo de Ceilândia, Estrutural, Itapoã, Paranoá, Planaltina, Riacho Fundo II, Samambaia, São Sebastião e Taguatinga —, além dos municípios goianos de Águas Lindas e Valparaíso.

Entre as principais reivindicações direcionadas aos candidatos ao governo distrital e à Câmara Legislativa do Distrito Federal estão a construção de novos hospitais, a ampliação dos programas de assistência social, investimentos robustos em cursinhos populares e na segurança pública, além de um plano de mobilidade urbana que descentralize o fluxo concentrado no centro de Brasília.

Fonte:: agenciabrasil.ebc.com.br

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