
Um estudo recente conduzido pelo Observatório Lupa revelou que dezenas de publicações veiculadas em perfis oficiais de candidatos nas redes sociais utilizaram recursos de inteligência artificial sem qualquer tipo de sinalização ou aviso prévio aos eleitores sobre a manipulação digital dos arquivos.
Durante o período de monitoramento, que ocorreu entre os dias 16 e 26 de agosto, os pesquisadores analisaram 314 materiais suspeitos circulando em plataformas digitais e aplicativos de mensagens instantâneas. Desse total, a utilização de tecnologia de inteligência artificial foi confirmada em 282 publicações. A maior parte desse montante consistia em materiais classificados como deepfakes, que são mídias sintéticas desenvolvidas com o intuito de reproduzir com fidelidade a fisionomia, a tonalidade de voz ou a identidade visual de indivíduos reais.
O levantamento detalha ainda quais figuras públicas foram os principais alvos dessas peças manipuladas. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva apareceu em 115 registros apontados pelo monitoramento, figurando como o principal alvo dos conteúdos falsos. Em seguida, Flávio Bolsonaro registrou 56 aparições em materiais da mesma natureza.
No que tange às plataformas onde os materiais foram encontrados com maior frequência, o Facebook liderou o ranking com 202 registros de publicações consideradas enganosas ou manipuladas. O Instagram apareceu logo na sequência, contabilizando 62 ocorrências no mesmo período analisado pela equipe de pesquisa.
Cristina Tardáguila, fundadora e gerente de inovação e formação da Agência Lupa, destacou a gravidade do cenário encontrado pelos analistas. Segundo ela, o fator mais preocupante não reside apenas na circulação de material sintético, mas na origem das postagens. A especialista ressaltou que os conteúdos não vieram de perfis falsos ou anônimos, mas sim de contas oficiais pertencentes a candidatos e legendas partidárias, instâncias que possuem o dever legal e moral de manter o eleitorado devidamente informado sobre o emprego de tecnologias de inteligência artificial.
As regras referentes ao tema ganharam contornos mais rígidos quando o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) aprovou novas diretrizes para o pleito. A regulamentação estabelece proibições e restrições severas para qualquer alteração digital que envolva a voz ou a imagem de candidatos e demais figuras públicas.
Além disso, a Corte Eleitoral determinou que as empresas provedoras de aplicações de internet podem ser responsabilizadas perante a Justiça caso falhem em remover perfis falsos, conteúdos ilegais ou postagens em desacordo com as normas estabelecidas para o período eleitoral após serem notificadas.
Fonte:: agenciabrasil.ebc.com.br










