Eleições

Eleições mobilizam eleitores de Lula e Flávio Bolsonaro em Brasília

A véspera do pleito presidencial em Brasília foi marcada pela mobilização de apoiadores dos candidatos Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL). Apenas dois quilômetros separaram as multidões de simpatizantes no centro da capital federal, registrando momentos de tensão e provocações pontuais quando eleitores dos dois grupos cruzaram caminhos nas ruas.

Apesar da distância física considerada intransponível por muitos participantes, a palavra democracia ecoou nas duas manifestações. Ambas contaram com a presença de trios elétricos, reprodução de jingles de campanha e execução do Hino Nacional. Enquanto o grupo majoritariamente vestido de vermelho concentrou-se nas imediações do Museu Nacional, os simpatizantes que vestiam amarelo direcionaram-se para a Torre de TV.

De camisa vermelha e estampando a imagem do atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a arquiteta Hanna Brandini, de 33 anos, ouviu gritos de opositores do outro lado da via, mas manteve a serenidade por ser a primeira grande manifestação de rua que integrava. “Entendo que foi uma campanha marcada por muita desinformação. Os desentendimentos podem ser apenas momentâneos”, avaliou a profissional.

Na mesma calçada, circulando com a camisa da seleção brasileira, estava o bacharel em direito que preferiu se identificar apenas como Leonardo, de 36 anos. Ele relatou o impacto do pleito em suas relações pessoais. “Eu desfiz muitas amizades. Entendo que há intolerância de toda parte. O que ocorreu em 8 de janeiro, por exemplo, é condenável. Mas me senti discriminado nos últimos anos”, pontuou, manifestando o desejo de que o governo eleito seja respeitado pelos derrotados.

Também vestidas com as cores da seleção nacional, as amigas Lana Wendy Rodrigues, monitora de creche de 29 anos, e a vendedora Dayane Gomes, de 32 anos, moradoras de Sobradinho 2, na periferia do Distrito Federal, relataram não ter enfrentado hostilidades por evitarem discussões políticas no cotidiano. Elas afirmam viver em um ambiente com forte preferência por ideais conservadores e compareceram ao ato portando uma bandeira do Brasil.

Contrários a extremismos

O posicionamento moderado também foi defendido por familiares de Lana e Dayane. Os irmãos Samuel Nascimento, bancário de 26 anos, e Julia Nascimento, consultora de 34 anos, optaram por não utilizar roupas amarelas na manifestação e ressaltaram a importância do repúdio aos extremismos. “Entendo que a democracia deve ser respeitada por quem ganhar e por quem perder. A alternância de poder precisa ser pacífica”, declarou Samuel.

Perto dali, a estudante secundarista Maria Eduarda Nascimento, de 18 anos, vendia leques, bonés e camisetas com a imagem do candidato Flávio Bolsonaro. Entusiasmada com a primeira oportunidade de votar, a jovem pretende cursar biomedicina e destacou que sua escolha política foi influenciada pelo pai e por amigos da igreja evangélica que frequenta na Ceilândia, maior região administrativa do Distrito Federal.

A dois quilômetros de distância, as irmãs gêmeas Laila e Melissa Lacerda, de 16 anos, vivenciavam a expectativa para o primeiro voto, direcionado a Luiz Inácio Lula da Silva. Alunas do segundo ano do ensino médio, elas destacaram a relevância da participação dos jovens no processo político. Laila pontuou que o grupo de amigos compartilha pautas voltadas à defesa do ensino público e gratuito e ao desarmamento. “Não temos como concordar com quem defende mais armas nas ruas”, afirmou.

Mudança de opinião e debates sobre a democracia

As manifestações também reuniram eleitores com trajetórias de engajamento de longa data. O economista aposentado Murilo da Cunha, de 73 anos, percorreu a Esplanada dos Ministérios em uma cadeira de rodas devido a uma condição neurológica rara. “Estou muito feliz e nunca vi nada igual na minha vida. Comparo com os movimentos de Diretas Já, na década de 1980, e com os cara-pintadas, de 1992”, comparou, lamentando o distanciamento de familiares em decorrência de divergências políticas.

Na mesma região, o casal José Pedro Oliveira, de 61 anos, e Ana Carolina Campos, de 48 anos, relatou ter votado em Jair Bolsonaro em 2018, mas mudou de posicionamento político após o filho adolescente enfrentar complicações graves por covid-19 em uma Unidade de Terapia Intensiva. “Nós nos decepcionamos muito e passamos a pensar radicalmente diferente. Nosso filho vai se formar neste ano em ciência da computação e devemos prezar para que o negacionismo não ameace a vida de mais ninguém”, declarou Ana Carolina.

Outro grupo de apoiadores do atual presidente, formado pelos universitários Nathália Rocha, de 25 anos, e Eduardo Couto, de 28 anos, além da advogada Sophia Barbosa, de 28 anos, enfatizou a proteção a minorias e a urgência de debater a regulamentação das redes sociais. “Isso é urgente. A nossa democracia pede isso”, avaliou a advogada sobre o impacto das plataformas digitais na polarização social.

Atos por todo o país

A mobilização da véspera do pleito não se limitou a Brasília. Em Maceió (AL), eleitores de Luiz Inácio Lula da Silva participaram de uma corrida na orla marítima com largada nas primeiras horas da manhã. Em Fortaleza (CE), a programação incluiu uma corrida de rua e um ato esportivo no mar reunindo surfistas, nadadores e atletas de remo sob o lema “A Praia é Nossa”.

Por sua vez, eleitores de Flávio Bolsonaro realizaram atos públicos em Goiânia (GO), Cuiabá (MT), Dourados (MS), Vitória (ES) e outras capitais e municípios brasileiros.

Os candidatos à Presidência intensificaram a agenda de campanha nos grandes centros urbanos. Luiz Inácio Lula da Silva participou de manifestações matinais em Copacabana, no Rio de Janeiro, e seguiu à tarde para um ato com apoiadores na Avenida Paulista, em São Paulo. Já Flávio Bolsonaro acompanhou uma motocarreata em Belo Horizonte (MG) pela manhã e, na sequência, liderou um ato público na Barra da Tijuca, na capital fluminense.

*Com colaboração de Iara Balduino.

Fonte:: agenciabrasil.ebc.com.br

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